A estruturação da Fundacine teve início em 1998, a partir da articulação entre representantes do setor audiovisual, iniciativa privada, poder público, universidades e entidades culturais do Rio Grande do Sul.
A Fundação Cinema RS (Fundacine) foi oficialmente fundada em 15 de julho de 1999, com o propósito de impulsionar o desenvolvimento do cinema e do audiovisual gaúcho por meio da integração entre diferentes segmentos da cadeia produtiva.
1999: incentivo à produção cinematográfica
Ainda em 1999, a Fundacine promoveu a primeira edição do Prêmio RGE Governo RS de Cinema, que distribuiu R$ 3,3 milhões, por meio de edital, para a realização de três longas-metragens:
- Tolerância, de Carlos Gerbase;
- Netto Perde Sua Alma, de Beto Souza e Tabajara Ruas;
- Concerto Campestre, de Henrique de Freitas Lima.
A iniciativa marcou um importante momento de fortalecimento da produção audiovisual no Rio Grande do Sul.
2000: III Congresso Brasileiro de Cinema
Em 2000, a Fundacine organizou, em Porto Alegre, o III Congresso Brasileiro de Cinema, reunindo representantes da produção, exibição, distribuição e educação cinematográfica.
O encontro teve papel decisivo na retomada do cinema na agenda política nacional e contribuiu para a criação da Agência Nacional do Cinema (Ancine), doze anos após a extinção da Embrafilme.
A Fundacine também participou ativamente da consolidação do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC) como entidade representativa do setor.
2001: criação do RodaCine
Em parceria com a RGE e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul/Iecine, a Fundacine lançou, em 2001, o projeto RodaCine.
A iniciativa foi criada com o objetivo de democratizar o acesso ao cinema brasileiro, levando sessões itinerantes para municípios sem salas de exibição. Com estrutura móvel equipada com tela e sistema de som, o projeto passou a circular pelo interior do Estado exibindo produções nacionais.
No mesmo ano, ocorreu a segunda edição do Prêmio RGE Governo do Estado para financiamento de longas-metragens, contemplando os filmes:
- O Homem que Copiava, de Jorge Furtado;
- Extremo Sul, de Mônica Schmiedt e Sylvestre Campe;
- Diário de um Novo Mundo, de Paulo Nascimento.
2002: Fórum Mundial do Audiovisual
Durante o Fórum Social Mundial de 2002, em Porto Alegre, a Fundacine realizou o Fórum Mundial do Audiovisual (FMA), promovido pelo Congresso Brasileiro de Cinema.
O evento reuniu entidades e profissionais dos cinco continentes para debater políticas de resistência ao monopólio da indústria audiovisual. Na ocasião, foi elaborada a Carta de Porto Alegre, documento em defesa da diversidade cultural e da valorização das produções nacionais.
2003: preservação da memória audiovisual
Em 2003, a Fundacine iniciou, em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre e a AAMICA, o projeto de restauração do Cine Capitólio.
A proposta previa transformar o espaço em uma cinemateca voltada à preservação da memória audiovisual gaúcha e à aproximação do público com a produção cinematográfica.
Expansão institucional e articulação do setor
Ao longo dos anos seguintes, a Fundacine ampliou sua atuação em projetos estratégicos para o audiovisual gaúcho. Entre as iniciativas desenvolvidas estão:
- protocolo de intenções entre PUCRS, Governo do Estado e Fundacine para viabilizar o Centro Tecnológico de Produção Audiovisual no campus de Viamão;
- criação do RodaCine RGE Metropolitano;
- criação do Banco de Projetos para apoio institucional a produções audiovisuais;
- desenvolvimento do projeto Cine Bancários;
- articulação para criação de uma Film Commission no Rio Grande do Sul;
- gestão do Arranjo Produtivo Local do Audiovisual (APL).
A instituição também participou de importantes articulações políticas do setor audiovisual brasileiro, incluindo mobilizações relacionadas à criação do Fundo Setorial do Audiovisual, ao Projeto de Lei nº 59/03 e à Lei 12.485, voltada às cotas de conteúdo nacional na TV por assinatura.
A Fundacine foi ainda uma das entidades fundadoras da ABRAFIC – Associação Brasileira de Film Commissions.
2024: atuação emergencial no apoio ao setor audiovisual
Em 2024, diante da catástrofe climática e do estado de calamidade pública no Rio Grande do Sul, a Fundacine coordenou a Ação Audiovisual RS, uma campanha emergencial de apoio ao setor audiovisual, cinematográfico e televisivo gaúcho.
A iniciativa viabilizou o repasse de R$ 2 milhões doados pela Netflix, com intermediação do Ministério da Cultura, beneficiando 430 profissionais de mais de 40 municípios do Estado.
A ação tornou-se um marco de apoio e mobilização em defesa da cadeia produtiva do audiovisual gaúcho.
2024/2025: retomada do RodaCine
O projeto RodaCine Cinema Itinerante foi retomado em 2024, com lançamento realizado em Novo Hamburgo.
A retomada oficial da itinerância ocorreu em janeiro de 2025, na cidade de Jaguarão, com exibição do filme Além de Nós, do diretor Rogério Rodrigues.
A nova edição prevê circulação por 20 municípios do Rio Grande do Sul, com foco exclusivo em produções audiovisuais gaúchas, além da realização de oficinas formativas e palestras.
2025: Mercado Audiovisual Entre Fronteras
Entre os dias 17 e 19 de novembro de 2025, será realizada a 5ª edição do Mercado Audiovisual Entre Fronteras, em São Miguel das Missões.
O evento é promovido pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac), por meio do IECINE, em parceria com a Fundacine, responsável pelo planejamento, curadoria e execução do mercado.
A iniciativa conta ainda com correalização do INAP, IAAVIM e ACAU, buscando fortalecer a cooperação regional e ampliar o ambiente de coproduções audiovisuais na região Entre Fronteras.
Mais informações podem ser acessadas no site do evento: Mercado Audiovisual Entre Fronteras
RodaCine | Cinema Itinerante nos Bairros da Cidade
Aprovado no final de 2025, o projeto RodaCine Cinema Itinerante nos Bairros da Cidade prevê a circulação em seis bairros de Porto Alegre.
A iniciativa também contempla a realização do podcast Conexões, dedicado a debates sobre o setor audiovisual e às experiências construídas ao longo da trajetória do RodaCine.